Oscar Guanabarino e as comemorações do Centenário da Independência

Anna Cristina Cardozo da Fonseca
Universidade Federal do Rio de Janeiro – annacrisfonseca2015@gmail.coml

O presente trabalho pretende apresentar algumas das manifestações do crítico Oscar Guanabarino acerca da programação musical das festividades do Centenário da Independência do Brasil, em 1922. A partir dos artigos desse autor, veiculados nas páginas do Jornal do Commercio, busca-se apontar algumas das facetas daquela comemoração em meio às discussões sobre a modernidade na arte disseminadas no início do século XX.

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O feminino na crítica musical de Oscar Guanabarino: análise das críticas aos concertos de Gemma Luziani

Amanda Oliveira
Universidade Federal de Pelotas – amand_oli@hotmail.com

O presente artigo propõe uma análise das críticas à pianista italiana Gemma Luziani, publicadas por Oscar Guanabarino na seção Artes e Artistas do jornal O Paiz em 1890, sob a perspectiva dos estudos de gênero. Esse é um recorte da pesquisa “O feminino na crítica musical de Oscar Guanabarino: discursos sobre mulheres concertistas na Belle Époque brasileira”, que tem por objetivo investigar como as questões de gênero estão presentes na sua crítica musical.

Periodismo, prensa y música: Recetas para una ensalada musicológica contemporánea

Teresa Cascudo (Universidad de La Rioja, España)

Resulta una evidencia afirmar que la crítica y el periodismo musicales y las fuentes primarias que los documentan, esto es, la prensa periódica, no son objetos novedosos de estudio en el ámbito de la musicología. La figura del crítico-musicólogo se consagró en el siglo XIX, pensemos en ejemplos evidentes como los de François-Joseph Fétis o Eduard Hanslick, quienes establecieron conexiones directas entre ambos campos. De hecho, desde finales del siglo XIX, el momento en el que se constituyó como disciplina académica, la musicología  consideró la crítica musical un tema de estudio por derecho propio. Poco me importa que esa consideración se tradujese en un volumen de publicaciones estadísticamente marginal con respecto a las dedicadas a otro tipo de objetos musicológicos: lo que me interesa subrayar es que crítica y periodismo musicales mantienen lazos estrechos con la musicología desde hace décadas. En los últimos años, la digitalización masiva de fuentes hemerográficas ha puesto a nuestra disposición un volumen extraordinario de documentación y ha introducido un nuevo factor que está implicando una modificación en la agenda musicológica, plasmado en el aumento del número de estudios que utilizan los periódicos como fuente primaria preferencial. Lo que me propongo en esta conferencia es compartir con los asistentes al congreso una reflexión, en parte basada en la experiencia de la edición del volumen Nineteenth-Century Music Criticism, recientemente publicado por la editorial Brepols, y en la coordinación del grupo “Música y Prensa” de la Sociedad Española de Musicología. No voy a hacer el relato de una selección de anécdotas vividas en el desarrollo de estas tareas, sino que voy a intentar señalar y explicar las principales cuestiones y desafíos que, gracias a esa experiencia, se me han ido planteando. Sobre todo, destacaré que estar ante una fuente de características tan específicas implica, según lo veo, que deberíamos sentirnos interpelados para, en consecuencia, intentar desarrollar, dentro de la musicología, una reflexión conceptual y metodológica a la hora de aproximarnos a su estudio. Lo que voy a exponer, por lo tanto, es una selección de los problemas y las soluciones que, por ahora, he ido encontrando, en el desarrollo de mis propios trabajos y en la lectura de los de de otros colegas, asumiendo, además, que mi perspectiva es la que puedo construir desde el lugar cultural, institucional, geográfico e histórico donde desarrollo mi actividad académica.

Crítica musical em tempos de guerra: a atuação de Oscar Guanabarino na imprensa carioca entre 1916 e 1919

Luciana Pessanha Fagundes (Universidade Federal Fluminense)

Nas últimas décadas do século XIX, o crescimento urbano propiciou uma ampliação do espaço dedicado às artes e à música nos jornais cariocas, e, mesmo com a política mantendo seu lugar privilegiado nas folhas, outras práticas culturais receberam colunas especiais com o objetivo de acompanhar esse florescimento. O jornal republicano O Paiz foi um dos primeiros a criar uma coluna especial dedicada ao mundo das artes, sob o título Artes e Artistas, que contou com a contribuição de nomes relevantes do cenário cultural carioca, como Oscar Guanabarino de Sousa Silva. Alvo de poucos estudos, porém peça central no surgimento da crítica musical e artística no Brasil, Guanabarino atuou durante quase meio século – de 1879 a 1937 – na imprensa carioca, escrevendo críticas de arte. Em suas colunas abordava não apenas a música, mas também teatro, arquitetura e artes plásticas. Esta apresentação tem como objetivo analisar a produção do crítico nos grandes jornais cariocas O Paiz e Jornal do Commercio, entre 1916 e 1919, bem como, sua breve atuação no comando da revista Música, publicada entre 1917 e 1918. O período marca a estreia do crítico no Jornal Commercio (setembro de 1917), com a coluna Pelo Mundo das Artes, publicada na primeira página do prestigioso jornal. A partir de tais periódicos, tencionamos analisar o lugar ocupado pelo crítico na imprensa carioca. No contexto musical, temos vários eventos importantes que vão atrair a atenção de Guanabarino, e que pretendemos analisar, são eles: a mudança na direção do Instituto Nacional de Música, assumindo o cargo o polêmico Abdon Milanez; a estadia do músico francês, Darius Milhaud no Brasil (entre os anos 1917 e 1918), como adido cultural da França; e as apresentações do músico polonês Arthur Rubinstein no Rio de Janeiro (1918). Cabe lembrar também outro evento que mobilizava intensamente a sociedade brasileira: a Primeira Guerra Mundial. Suas repercussões no mundo da música são habilmente colocadas por Guanabarino, que durante esse período (1914-1918), atuou intensamente em prol da causa aliada. Assim, nossa análise sobre Guanabarino foca, não apenas sua atuação na imprensa carioca, circulando entre seus principais periódicos, mas também todo um debate sobre influências estéticas e movimentos nacionalistas que varriam a sociedade carioca no momento.

A música na imprensa brasileira no longo século XIX: interdisciplinaridade e metodologia para um mapeamento editorial e construção de base de dados

Maria Alice Volpe (Universidade Federal do Rio de Janeiro & Academia Brasileira de Música)

A música tem sido assunto constante na imprensa periódica do Brasil desde o século XIX. Propomos uma abordagem sistemática dessas fontes de pesquisa, visando aos desdobramentos possíveis para uma compreensão da música como parte integrante da história cultural. A diversidade do conteúdo relacionado à música convida para uma aproximação da musicologia com a história social, econômica, cultural, os estudos literários, a história da arte e a iconografia. Mais do que qualquer outra fonte de pesquisa musical, os periódicos suscitam abordagens interdisciplinares. Um levantamento global demonstra que a música permeia a imprensa brasileira numa estimativa de alta percentagem de periódicos. A pesquisa dos conteúdos relacionados à música veiculados nos diversos tipos de periódicos visa a dimensionar o tratamento e a localização dos assuntos musicais no conjunto global da publicação. No intuito de chegar a uma contextualização mais acurada, formulamos uma metodologia visando à análise de conteúdo e forma que expresse as especificidades das linhas editoriais de cada periódico. A metodologia aqui proposta tem sido construída ao longo de algumas décadas, experimentou os diversos meios e ferramentas de busca, e passou pelas substanciais mudanças de acessibilidade trazidas pelas novas tecnologias da informação. Esses modelos oferecem princípios de sistematização dos dados que devem ser considerados menos sob a perspectiva da Biblioteconomia, mas sobretudo sob a perspectiva da História ou da Musicologia, pois seus critérios visam a atender questões críticas recorrentes nessas áreas de conhecimento.

 

A crítica musical como objecto de estudo: alguns pontos de referência

Paulo Ferreira de Castro (CESEM/NOVA FCSH, Lisboa)

Tanto quanto nos é dado observar, a crítica musical tem servido maioritariamente aos pesquisadores como fonte de informação sobre questões historiográficas de tipo “factual”, ou como meio de ilustração no domínio dos estudos do que se poderá chamar a história da recepção musical, estudos esses, aliás, em estado bastante incipiente na musicologia em língua portuguesa. O que parece faltar, sobretudo, no estado actual da pesquisa musicológica, é, por assim dizer, uma abordagem verdadeiramente crítica à crítica musical, no sentido em que, como qualquer outro género literário, a crítica obedece a preceitos, pressupostos e constrangimentos próprios, cuja especificidade deve ser ela mesma objecto de reflexão. Por outras palavras, o pesquisador não pode dispensar-se de se interrogar sobre a natureza das tipologias textuais (ou seja, necessariamente, intertextuais) na sua aproximação ao que geralmente se entende por um artigo de crítica; como não pode permitir-se ignorar toda uma ecologia da prática crítica, envolvendo não apenas a dimensão informativa no seu sentido hermeneuticamente mais trivial, mas sobretudo a complexidade (e por vezes, a opacidade) da relação multidimensional entre o autor da crítica, o seu objecto, o seu propósito, o seu medium, o seu leitor, e porventura o seu efeito. Do mesmo modo que a “objectividade” de um qualquer relato histórico não pode deixar de surgir condicionada pelo estatuto pragmático do relator (e do leitor), nenhum estudo sobre crítica musical pode deixar-se seduzir pelas quimeras da “imparcialidade” do discurso crítico e da potencial transparência dos conteúdos. Poder-se-ia mesmo afirmar que, neste domínio, a imparcialidade e a transparência não passam, em geral, de preconceitos tacitamente partilhados, e por isso mesmo, tornados mais ou menos invisíveis, os quais exigem um verdadeiro questionamento sobre o “não-dito” do discurso crítico.
Nesse sentido, a presente palestra traz à discussão diversos tópicos relacionados com o trabalho musicológico em torno do pensamento crítico: a emergência deste campo de trabalho no quadro dos estudos musicais, a definição do seu objecto de estudo, os problemas conceptuais e epistemológicos suscitados pela pesquisa, as metodologias utilizadas e as dificuldades concretas a ultrapassar, tomando como domínio prático de aplicação um estudo em curso sobre a história da crítica musical em Portugal.

Lançamento de publicações

Na primeira noite de Simpósio serão lançados os os dois primeiros volumes das compilações e transcrições “Oscar Guanabarino e a crítica musical no Brasil – Transcrições Guanabarinas – Antologia Crítica – O Paiz (1884-1889)” e “Oscar Guanabarino e a crítica musical no Brasil – Transcrições Guanabarinas – Antologia Crítica – O Paiz (1890-1899)”.

Sua concretização deve-se ao trabalho incansável de uma equipe de pesquisadores de iniciação científica que não mediu esforços nem poupou horas de trabalho para que tal resultado fosse apresentado.

Quer saber mais sobre os volumes? Veja aqui